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Este blogue é um espaço onde tento conjugar a divulgação do meu trabalho de pintura, através das publicações abertas a comentários, e a publicação de outras matérias na coluna lateral e nesta zona, ao alto da coluna principal.


Os assunto e conteúdos que aqui coloco, em paralelo com a pintura que faço, relacionam-se com as minhas opiniões e opções no exercício do acto de viver. Isso, como tudo, resulta de um compromisso entre livre-arbítrio e determinismo, de racionalismo e sensibilidade, de consciência e intuição, de ponderação e impulso.


Não será possível resumir neste espaço o meu pensamento acerca do mundo actual e do que é indispensável alterar para viabilizar um futuro, em que a nossa espécie assegure a sobrevivência da vida como a conhecemos, de uma forma que respeite a sua organização estrutural. Penso que em qualquer de nós tudo existe. A capacidade para fazer num sentido e no seu oposto. Cada um tem os seus conceitos de bem e de mal, se bem que há tendências mais universais. Para mim basta-me considerar por bem o que estabiliza, harmoniza, promove prazer e bem-estar, respeita e aceita e se constrói permanentemente na consciência da pertença a uma unidade global. A consciência do mal estará no extremo oposto. É uma forma simplista e não mais que um recurso para estabelecermos regras de conduta, para assumirmos a responsabilidade que os nossos recursos desmedidos para interferir no meio em que vivemos, nos confere.


A falta de um sistema político adequado para a gestão das sociedades que promova um papel social, de cada um, devidamente equilibrado no deve e haver, estabelecido no respeito sagrado pela dignidade de cada pessoa, é um sintoma de um mal que se avalia pelo exame da nossa História Universal. Se avaliarmos os registos da história política, das artes e do pensamento, verificamos que há um padrão de comportamento humano que é inerente à sua condição e que não tem mudado ao longo dos milénios. Depois vemos que tudo se repete, em ciclos. E verificamos que a velocidade das transformações evolui exponencialmente, porque tudo é um pulsar. A explosões sucedem-se retracções.


Neste momento não sabemos em que ponto estamos, mas sabemos que se não alterarmos o nosso comportamento, estaremos a construir uma destruição num apocalipse de dor e sofrimento em que a nossa arrogante inteligência fará a afirmação de ser a mais negra estupidez do Universo conhecido.



ASSINE PELA ABOLIÇÃO GLOBAL DA PENA DE MORTE

BASTA A POSSIBILIDADE DE INOCENTES SEREM CONDENADOS À MORTE PARA A ABOLIÇÃO SER IMPERATIVA


No passado dia 10 de Outubro foi o Dia Mundial pela Abolição da Pena de Morte. Duas semanas antes, a 25 de Setembro, o Brasil tinha-se tornado o 72º país a abolir a Pena de Morte do seu sistema penal, sem possibilidade de retrocesso.


Este é, ainda hoje, um tema polémico. Confrontados com a violência que espreita a esquina do quotidiano da pessoa mais serena e pacífica, e com a consciência que a divulgação mediática que existe dessa mesma violência muitos são os que apesar da sua boa personalidade cívica e humana, hesitam ou, nem por isso, antes apoiam a pena de morte como solução para conter e castigar os crimes que atingem inocentes.


Pessoalmente, expresso aqui uma opinião que assume uma série de implicações, pelo que não quero fazê-lo, sem fundamentar a minha posição e assumir a consciência desses fundamentos. Estou consciente do privilégio que representa nunca ter sido alvo de episódios de relevante violência. Consigo, talvez por defeito, mas quanto baste para entender o estado de espírito de quem sofreu sérias circunstâncias
de ofensas pesadas à sua integridade física, atentados ou até assassínios dos que lhe são próximos.Há casos e circunstâncias em que os ofendidos poderão encontrar argumentações que sustentem uma execução num caso específico. Há até casos de assassinos que querem morrer. Há muitos que até se suicidam no corredor da morte, seja pela incapacidade de lidar com a culpa ou com a desumanidade da tortura da espera. No entanto, há uma coisa de que todos temos de estar conscientes. Num determinado sistema penal há ou não há pena de morte. E temos de estar conscientes de uma outra coisa. Nenhuma lei que exista em qualquer país, para qualquer efeito, tem garantia de ser sempre exemplarmente aplicada. Os casos são julgados por pessoas e por elas são aplicadas as penas. As pessoas detêm poderes e têm interesses que, por vezes são difíceis de identificar até para os próprios porque estão nas esferas obscuras das ideologias e das afectações de carácter e que são determinantes nas decisões. Pesa, para mais, que a maioria dos locais onde a pena de morte ainda é aplicada, e onde é necessário que seja abolida, são aqueles onde os atropelos à isenta aplicação da lei são mais fáceis.


Não é defensável que estejamos vulneráveis à violência social. Sabemos que há seres humanos cuja monstruosidade de comportamento alimenta as vendas e audiências dos meios de comunicação com a evidência de que não terão a mínima viabilidade de recuperação. No entanto, defendo que as sociedades terão de encontrar métodos de prevenção e de regulação destes fenómenos que estão completamente associados à própria natureza humana e à forma como se gerem políticamente as sociedades. Acredito que um eficaz combate à miséria existencial e um sistema de educação humano e adequado resolverá uma grande parte do problema. A aplicação rigorosa dos direitos humanos, já reconhecidos, outra parte. Só que o que poderia ser fácil, não o é, e esse estado, demorará a ser atingido, se algum dia o for à escala global. Até lá, os crimes e as agressões continuarão. E a necessidade de lidar com eles, sem passar pela eliminação física do criminoso. Porque basta a possibilidade, em aberto, de um inocente condenado para inviabilizar que se possa manter uma lei que o permita. Nos Estados Unidos, onde ainda existe, como sabem, pena de morte nalguns estados, já se tem descoberto inocência, e conduzido à libertação de presos, numa espera que chega a durar 20 anos.


Perante estes factos só é possível defender a abolição da pena de morte, sem excepção do local geográfico, da natureza dos crimes, das características do criminoso ou do método de execução utilizado. É um princípio e um conceito a eliminar para atingir um mundo melhor.


Como nota final, registo o facto agradável de Portugal ter sido a vanguarda da abolição da Pena de Morte. Foi introduzida pela Reforma Penal de 1867, tornando-nos no primeiro país a aprovar uma lei desta natureza. Notável, para um país, em que em 1476, os registos reais dão conta daquilo a que chamam "uma lei mais humana" referente à decisão de D.Afonso V de proferir uma sentença em que só o marido podia matar a mulher culpada de crime de fugir ao marido, pecando-lhe na lei do casamento.

ATENÇÃO - ESTE VÍDEO MOSTRA A CRUELDADE HUMANA PARA COM OS ANIMAIS

Nos dias de hoje, só a ganância do lucro, o desprezo pelo sofrimento alheio e a crueldade para com as outras formas de vida, explicam as experiências com animais em laboratório, para fins médicos, cosméticos ou outros. No total alheamento pela dignidade da vida e pelo seu carácter sagrado, animais dotados de consciência e sensibilidade elevadas são torturados com objectivos militares e científicos, por vezes durante anos a fio, passando existências inclassificáveis. A engenharia genética que tem sido, tantas vezes, usada em más direcções, providencia afinal os meios que permitem avançar a medicina sem o uso deste tipo de práticas, mas elas continuam a ser usadas.
Impõe-se que todos os que temos consciência do mal no exercício destas práticas cruéis e que com elas não queremos pactuar, nos informemos, de quais as empresas que comercializam produtos ou medicamentos resultantes destas experiências. Felizmente o mercado actual dá alternativas para se evitar um consumo que suporte essas actividades.

NÃO À SENTENÇA DE MORTE - Não deixe o seu cão velho na rua, nas noites frias!

Chained Dogs

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Se tiver dificuldades com a língua inglesa faça uso da ferramenta de tradução do Google. Não é perfeita, mas permite-lhe ter uma ideia muito aproximada dos conteúdos.

MOSTRA VIRTUAL DE PINTURA

domingo, 26 de julho de 2009

PIETÀ

Pietá detalhe 2web.jpg


Pietá (detalhe)


Pastel sobre papel - 40x60cm (imagem total) - 2009




UMA PINTURA PARA DENTRO DE OUTRA PINTURA


(O presente para dentro do futuro, agora...)




Gosto quando uma expressão artística se usa a si própria como objecto criativo, por via de reflexão, crítica ou simples(?) contemplação. Gosto de livros sobre a escrita, de filmes acerca de outros filmes ou sobre cinema e de pinturas que incorporam outra(s) pintura(s). "Las meninas", de Diego Velazquéz, é um exemplo sublime de uma obra absoluta e fascinante que coloca outras pinturas em destaque e, simultaneamente, envoltas num mágico véu de mistério. Nas penumbras do salão palaciano.




Desta vez calhou-me a mim, pela primeira vez, nos caminhos que à mente se abrem e se descobrem quando em processo criativo, fazer sentido que num quadro meu isso sucedesse. Mais do que apenas fazer sentido, depois de visualizado, tornou-se numa ordem imperiosa, à qual não havia volta a dar. A vontade humana sai sempre derrotada em qualquer confronto com os ditames da imaginação e da sua sede cega e compulsiva de concretização.




Portanto, o quadro a fazer, o futuro, é o projecto que estou a desenvolver agora e que, se o conseguir fazer, será uma pintura a óleo, de grandes dimensões, maior do que as que já aqui viram, e de outras que irei colocar mais tarde. Sobre essa pintura em preparação, como certamente entenderão, não revelarei temática nem qualquer outro detalhe relevante até que esteja terminada. A única ponta do véu que levanto tem a ver com o conteúdo desta publicação.




Como o conteúdo, sendo diferente na abordagem conceptual, compartilha com os meus outros trabalhos recentes, um método de composição e de expressão formal, tem algumas exigências. Desta vez devido às circunstâncias específicas de que se rodeia, vejo-me na necessidade de criar, no estúdio, um cenário, a partir do qual pintarei. Nesse cenário será incorporado um quadro de uma "Pietá", que devido ao seu conteúdo simbólico, cumpre uma função importante no conjunto.




Conjugaram-se as dificuldades de obter uma boa reprodução e da necessidade de ter elementos adicionais às pinturas comuns do tema com o facto de eu estar a aproveitar o "interregno" de projectos mais exigentes, fazendo algumas experiências com pastéis. Assim, decidi eu próprio fazer a "Pietá" para figurar no próximo quadro a óleo. Portanto irei pintar o mesmo quadro duas vezes. É uma sensação estranha.




Disse no princípio deste texto, que gosto de arte que se expressa acerca da sua essência. Há casos em que imagens figuram dentro de imagens, até ao infinito, como se fossem "Matrioskas" transparentes em que o ínfimo só é limitado pelos limites de quem cria e de quem vê e/ou imagina. É um conceito interessante, se bem usado. Este facto de estar a pintar para algo que vou fazer, sendo diferente, provoca-me, curiosamente, uma sensação paralela, mas quase a tocar na que acabo de referir.




Decidi basear esta "Pietá" (a haver outra, mais tarde, será bem diferente) numa obra renascentista sobre o tema, na qual incorporaria os elementos que imaginei. Dessa forma, aproveitei para fazer uma homenagem a um pintor que admiro. Como disse este assunto fez-me pensar em Velázquez e talvez por isso escolhi um outro espanhol, um pouco anterior (morreu 13 anos antes de Velázquez nascer) por cujo trabalho tenho grande apreço. Falo de Luis de Morales. Este pintor de temática religiosa, repetiu a pintura de "Pietás", deixando-nos diversas abordagens próximas, em planos diversos, enquadramentos e aproximações ao tema variados, sendo por isso ele próprio um mestre da repetição. A escolha ideal para uma pintura a repetir.




Pietá detalhe 1web.jpg




Pietá detalhe 3web.jpg



Pietá totalWeb.jpg




Para fechar esta publicação não resisto a deixar aqui um poema, que nos dias em que fiz esta pintura me vinha à mente recorrentemente. É uma oportunidade de referir aqui um poeta de excepção e poesia grande.




"stabat mater




sim, a verdade é esta, temos todos as nossas


razões, e às vezes temos mesmo razão, e morre


muita gente por elas, e nós vamos agindo e dizendo


de um lado ou do outro, e entretanto


os calvários proliferam como brinquedos obscenos




em que uma mulher segura o filho


morto nos seus braços, se


morrem os meninos de sua mãe, se morrem como calha


nos braços seja de quem for ou de ninguém, eles ainda


podem morrer nos de quem os trouxe no ventre.




Na escuridão que lhes invade o sangue


nem sentem o lugar em que se encontram,


nem, enrolados no arame farpado da agonia,


têm já memória de quando eram pequenos


e uma mulher sorria para eles e os encostava ao peito.






É quando cada mãe é uma noite com todo o peso do mundo,


já nem sequer dona das entranhas


e não sabe o que sejam consolação, perdão,


nem prece, nem esperança, o seu regaço


torna-se um soluço sem música, como quem vomita o próprio ser.






stabat mater dolorosa."



Vasco Graça Moura

21 comentários:

mariabesuga disse...

Na necessidade da existência de uma peça que terá função própria dentro do todo que será o teu próximo trabalho, aqui estás tu mais uma vez a descobrir em ti capacidades ainda não exploradas.

Agora chegou a hora de te excederes e chegares mais adiante.
Mais um passo em frente!...

O pastel e papel são materiais e suportes diferentes dos que até agora usaste. Mas experimentar na tentativa de mais aprender fazem de sempre ou do que de ti conheço o teu processo de evolução.
Portanto, mãos à obra e aqui começamos a ter trabalhos a pastel em que te estás a sair muito bem para tua própria segurança.

Gosto da tua “Pietá”.

Bem homenageado Luis de Morales, “El Divino” pelo tipo de temática que explorou ao longo de todo o seu percurso.
Gosto particularmente da forma realista se bem que por imposição das temáticas os seus trabalhos deixassem sobressair algum subjectivismo “lírico”.

Vasco Graça Moura faz parte dos “nossos” poetas de referência e até se quisermos de reverência pelo que ambos admiramos do seu trabalho.

Aqui te deixo o meu beijo sempre no carinho com que acompanho a tua evolução, sempre também.

Maria disse...

Antonior:
Quando em Roma vi a Pietá, cai de joelhos perante ela. Foram minutos que me senti fora do mundo. As lágrimas caíram, o corpo tremia-me.
Foi uma sensação única.
Gosto da tua Pietá. Tem uma expressão enorme. A face de Cristo impressionou-me. É dos meus olhos, ou há um meio sorriso no rosto de Cristo morto? A certeza do dever cumprido, de ter feito aquilo que se propunha.
Repara meu amigo, eu não sou perita em pintura. Como já te disse, gosto ou não gosto, sinto ou não sinto. Gostei e senti.
O poema já era meu conhecido, mas foi muito bem escolhido.
Beijinhos de cá para aí.

Susn F. disse...

Também gosto muito de escrever sobre a escrita e o seu processo e cada vez gosto mais de vir até aqui aprender sobre a arte e deliciar-me com as suas pinturas.

beijinho

isabel mendes ferreira disse...

não tenho palavras!!!!!


não tenho!!!!


quisera ter.



para celebrar este POST!


raro.

tão raro.




curvo.me.

mjar disse...

Não percebo muito de pintura, mas sei quando vejo e sinto, quando vejo e acho que está muito bom... Imagem forte que nos faz sentir... palavras.... tudo muito bom... continue a deliciarnos com a sua arte, com o que vai aprendendo, com os seus pensamentos, poemas escolhidos... A "Piéta" está muito real. beijocas da Zezinha

lili laranjo disse...

Passei por aqui e fiquei deliciada.

Eu que Amo a Arte e que ocupo os meus bocadinhos a "fazer coisas" fiquei encantada...

feliz por ver coisas
lindas...e estar aqui...

deixo o que gosto de fazer...


Um beijo



LIVROS

Livros e árvores…
Com folhas muitas folhas…
Folhas soltas e coladas…
Agarradas ao seu tronco…
E como tudo na vida…
As folhas são fortes e seguras…
E nessa fortaleza e segurança…
Sentimos a segurança da vida…
Mas sem querer…
As folhas soltam-se e voam…
E saem sem pedir…
E correm o mundo e só assim:
Vêm que foi, bom descobrir
Mas para isso foi preciso…
Andar, correr, sorrir e sofrer…
E ao sofrer e sorrir…
Conseguem fazer o que sonham…

Lili Laranjo

lili laranjo disse...

Voltei
Tenho andado com a vida complicada por isso a minha entrada silenciosa.
Tive o meu marido com um prolema grave de saúde e o tempo continua curto.
Estou a preparar a saida de um novo livroe vou correndo...mas vou passar sempre pois como tbm me considero do Centro do País ...somos vizinhos.
um beijo no seu coração...



LES AMANTS – 1

Artistas…
Pintores…
Cantores…
Inspirados na pintura…
Entrelaçados na tela…
Absorvidos na Arte…

Arte de pintar e … de criar…

Criar…com magia…
Criar com saber…
Criar…com Amor…

E entrelaçados…
Amantes eternos…
Vão-se fundindo…
E… acreditando
Que não mais…
Voltarão a estar sós…






Lili Laranjo

Kim disse...

Gosto desta dor! Desta cor! Deste formato! Deste arrojo!
Foi sim amigo, na Exposição das Gaeiras.
Abraço

Berro d'Água disse...

Olá caro amigo!!!

É bom receber notícias tuas. Quando te escrevi dizendo que os blogs antigos estavam fechados [Lâmina d'Água e Silêncio], pensei ter te dito que abri o Berro d'Água, onde optei apenas por frases e fotos, pela minha falta de tempo para escrever e atualizar, mas que de um modo ou outro, é sempre mais um espaço para a comunicação e serás sempre muito bem vindo. Fico feliz que tenhas gostado.

Quanto a tua obra aqui exposta, digo-te que a olhei pela arte em si e me parece ser ela muito mais uma retratação do profano, do que dos elementos cristãos e foi justamente por essa razão que ela me atraiu bastante e a cada novo olhar. Gosto do relevo que dás às imagens, onde podemos observar o plano, quase que em três dimensões e também gosto muito do tanto de exagero que empregas nas formas, dando uma teatralidade incomum ao cenário... A face da figura feminina, é bastante masculinizada, dando-lhe a força e sustentação, nem sempre atribuídas às madonas, pietás e senhoras sofredoras, desenhadas em letras... O Cristo não me parece estar sofrendo e sim, em um quase deleite e o que justifica para mim e sustenta essa sensação que esse teu trabalho me dá, são as interessantíssimas figuras que despontam do negro, como pano de fundo... Como se estivessem espiando das coxias... O quadro, sem elas, não seria esse quadro!!! Portanto para mim, a representação dessa obra é uma nova releitura de um momento sacro e clássico, atualizado e que permite que a imagina diante das imagens, deslizes livremente enfre o profano, o ingênuo e o instigante...

É o que vejo. É o que eu sinto.

Parabéns pelo trabalho e mesmo não sendo eu uma devota de santos e pelo contrário, sendo eu uma agnóstica fervorosa, sem dúvida alguma eu compraria tua obra e a colocaria em uma área muito especial de minha casa!!!

Beijo,
Cris

Berro d'Água disse...

Em tempo:

Observei somente agora que há moderação de comentários e não vejo problema algum nisso. Muito pelo contrário, pois se o que escrevermos for para o ar, por certo é por merecimento. Além disso, a moderação impede o aparecimento de pessoas das trevas... E há sempre dessas a nos infernizar a vida e a nossa paz. Portanto muito justo que possamos ao menos desfrutar dos recursos de impedimento de coisas que não contribuem em nada e nem para nada. Fazes muito bem!!!

Beijos,
Cris

isabel mendes ferreira disse...

um destes dias posso roubar e publicar?


avisando claro e assinalando a autoria...!



abraço.

antonior disse...

Isabel,

Um roubo com pré-aviso e reconhecimento é um ensaio sobre a arte de dignificar um furto que o não é.
A exposição consentida do traço que outra mão desenhou é um cumprimento recíproco.

Consentimento dado, claro!

Retribuo o abraço

antonior disse...

Querida Maria Besuga:

Cá vamos, à semelhança de toda a restante humanidade, vivendo a aventura da vida, levada à cena num palco que se descobre à medida que a acção avança, por um encenador embuçado que só conseguimos contrariar quando ele nos deixa.

No guião estava escrito que por estes tempos os pasteis fariam parte dos adreços...

A propósito da "Pietà":
- Em face de uma tragédia pessoal de grandes dimensões, como a morte de alguém muito querido, a reacção humana comum, passa por três estágios. A revolta e, por vezes, recusa; a dor da perda, o luto; a serenidade da aceitação dorida que se instala. Na representação mais vulgar da virgem com o filho morto nos braços, expressa-se um sentimento que oscila entre a segunda e a terceira fase. Dado que tinha um objectivo concreto de uma figuração no novo quadro, com a intenção de ter um reconhecimento visual imediato identificado com uma simbologia instalada, respeitei, com algum rigor, essa norma. Até porque é uma quasi-cópia do quadro de Luis de Morales. No entanto, não tem nem deve ser assim. Como já disse, espero vir a pintar, outra "Pietà", bastante diferente, próxima formalmente, mas longe conceptualmente.

Quanto a Luis de Morales, penso que a poesia e romantismo da maioria das suas pinturas expressam resultam mais da personalidade do pintor do que da natureza da temática. Vê, por exemplo, o trabalho de um outro pintor de temas cristãos, Matthias Grünewald, e apesar de se encontrar uma exaltação romantica, não há o "lirismo" que referes, apesar do sucesso da representação religiosa.

Quanto à poesia, mais haverá no futuro deste espaço, para além da excelência de V.G. Moura.

Um beijo no teu beijo

antonior disse...

Maria:

Fica-me a curiosidade de saber que tipo de emoção te provocou a reacção que referes. Foi uma revelação religiosa, uma emoção estética, ou algo grandiosamente indefinível?

A serenidade de um quase deleite na face do Cristo, não existe só aos teus olhos. Já existe no quadro original de Luis de Morales, cuja obra sugiro que aprecies, pelo menos aqui na net. No entanto, apercebi-me que essa expressão estava a assumir mais destaque no que estava a pintar, e decidi deixar evoluir por si, sem contrariar...

O teu gostar e sentir desta pintura, é para mim, gratificante. Penso que a arte deve ser uma forma de comunicação democrática, que não deve exigir para a sua fruição, conhecimentos académicos específicos. A arte destinada a elites é um conceito que me incomoda. Resulta amiúde em perversidades que criam nos contornos do panorama artístico enormes aberrações.

Ainda bem que gostaste do poema, porque aqui haverá mais poesia.

Beijinhos

antonior disse...

Susn,

Espero que o conteúdo deste espaço continue a corresponder sempre às expectativas que manifesta e que contribua para estimular a curiosidade, que é a matéria alimentar da acção criativa.

Que cada vez mais preencha de cor as suas escritas e lhes molde as formas, para além das palavras.

Beijinho

antonior disse...

Isabel,

Obrigado pelas palavras com que não teve palavras para celebrar este "post".

Fê-lo de forma rara.

Curvou-se em linha recta, evocando condutas e valores antigos, muito para além do mérito deste objecto.

antonior disse...

Zézinha,

Gosto sempre de te ver por cá!

Quanto a perceber ou não de pintura, como dizes, lê, por favor a resposta que dei acima à Maria. A Arte vale pela capacidade de comunicar a todos, mesmo que de forma diferente, claro. Aquilo que só pode ser percebido e "sentido" por minorias "esclarecidas" é vazio de conteúdo universal. Para mim um Valor Maior da Arte é a sua capacidade democrática de abrangência. Porque quando é bem sucedida, tem a capacidade de nos colocar perguntas para encontrarmos respostas em nós, e isso deve estar ao alcance de qualquer um e não apenas de elites "intelectuais".

Beijinhos

antonior disse...

Lili,

É com agrado que lhe dou as boas-vindas a este espaço!

Gosto de receber quem ama a pintura e também a faz. Não penso que ocupe o seu tempo a "fazer coisas", a menos que se considere "coisas" peças criativas de quem ainda tem recursos de escrita.

Obrigado pelos poemas. Entre folhas de livros que são feitos de árvores e pensamentos, de folhas que voam o mundo, do sofrimento criando e uma visão que sustenta a criação com Amor e Magia, assim deixou nesta página uma nota poética para quem a veio ler.

Desejo que a saúde do seu marido esteja restabelecida e que o parto do seu novo livro seja "sem dor"....

Quando lhe for oportuno, por favor esclareça, em que medida nos considera vizinhos.

Um beijinho

antonior disse...

Kim,

Obrigado pelo cumprimento generoso ao trabalho exposto aqui, e também anteriormente, ao outro exposto no outro lado, que afinal foi mesmo o Armazém das Gaeiras.

Se estiver disponível, falaremos a esse respeito, porque gostaria de saber, para além da sua apreciação objectiva ao conjunto dos trabalhos, como os viu naquele contexto.

Um abraço

antonior disse...

Cris,

Obrigado pela tua visita. Foi, de facto, agradável encontrar o "Berro de Água" aberto, deixando correr as explêndidas fotografias de par em par...

No que respeita às minhas pinturas, quero dizer-te que tens uma visão muito próxima das minhas intenções ao fazê-las. Uma leitura ajustada aos conceitos com que desenvolvo esses trabalhos. Digamos, que no que respeita ao religioso, só me interessa o seu aspecto simbólico e a sua poderosa capacidade de comunicação a observadores com uma imagética e um imaginário desenvolvido dentro da tradicional cultura ocidental e judaico-cristã a que corresponde a maior parte de quem nos rodeia, nesta parte do mundo. De resto, as minhas preocupações objectivas relacionam-se mais com o que chamarei o "espiritual" e o "material". Tento dizer que penso que um vive de, para e pelo outro e vice-versa, num sem-fim. Tal como em relação ao simbolismo "religioso" e "profano" que caso com naturalidade e harmonia porque assim é a vida que recusamos, por diversas razões, ver. O quadro do hermafrodita é um exemplo transparente. Tudo é Uno e dentro dessa unidade todos os opostos são interdependentes para existirem. O maior desconforto existencial decorre da resistência à compatibilidade dos polos opostos, da sua recusa e de todas as acções para anular um deles.

Dizes que vês a representação deslizar entre o profano, o ingénuo e o instigante. Pois está lá o profano....o ingénuo, sem dúvida, porque sinto impossível ver a existência assim, sem ser através dos olhos de uma alma simples, até infantil, na sua lucidez e clarividência despoluída de saberes e, por fim, instigante....porque tudo isto é Mistério....

Um beijinho

Berro d'Água disse...

Pois então e como sempre, estamos mesmo ligados pelo mesmo fio invisível da sensibilidade!!!

Beijo,
Cris


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