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Este blogue é um espaço onde tento conjugar a divulgação do meu trabalho de pintura, através das publicações abertas a comentários, e a publicação de outras matérias na coluna lateral e nesta zona, ao alto da coluna principal.


Os assunto e conteúdos que aqui coloco, em paralelo com a pintura que faço, relacionam-se com as minhas opiniões e opções no exercício do acto de viver. Isso, como tudo, resulta de um compromisso entre livre-arbítrio e determinismo, de racionalismo e sensibilidade, de consciência e intuição, de ponderação e impulso.


Não será possível resumir neste espaço o meu pensamento acerca do mundo actual e do que é indispensável alterar para viabilizar um futuro, em que a nossa espécie assegure a sobrevivência da vida como a conhecemos, de uma forma que respeite a sua organização estrutural. Penso que em qualquer de nós tudo existe. A capacidade para fazer num sentido e no seu oposto. Cada um tem os seus conceitos de bem e de mal, se bem que há tendências mais universais. Para mim basta-me considerar por bem o que estabiliza, harmoniza, promove prazer e bem-estar, respeita e aceita e se constrói permanentemente na consciência da pertença a uma unidade global. A consciência do mal estará no extremo oposto. É uma forma simplista e não mais que um recurso para estabelecermos regras de conduta, para assumirmos a responsabilidade que os nossos recursos desmedidos para interferir no meio em que vivemos, nos confere.


A falta de um sistema político adequado para a gestão das sociedades que promova um papel social, de cada um, devidamente equilibrado no deve e haver, estabelecido no respeito sagrado pela dignidade de cada pessoa, é um sintoma de um mal que se avalia pelo exame da nossa História Universal. Se avaliarmos os registos da história política, das artes e do pensamento, verificamos que há um padrão de comportamento humano que é inerente à sua condição e que não tem mudado ao longo dos milénios. Depois vemos que tudo se repete, em ciclos. E verificamos que a velocidade das transformações evolui exponencialmente, porque tudo é um pulsar. A explosões sucedem-se retracções.


Neste momento não sabemos em que ponto estamos, mas sabemos que se não alterarmos o nosso comportamento, estaremos a construir uma destruição num apocalipse de dor e sofrimento em que a nossa arrogante inteligência fará a afirmação de ser a mais negra estupidez do Universo conhecido.



ASSINE PELA ABOLIÇÃO GLOBAL DA PENA DE MORTE

BASTA A POSSIBILIDADE DE INOCENTES SEREM CONDENADOS À MORTE PARA A ABOLIÇÃO SER IMPERATIVA


No passado dia 10 de Outubro foi o Dia Mundial pela Abolição da Pena de Morte. Duas semanas antes, a 25 de Setembro, o Brasil tinha-se tornado o 72º país a abolir a Pena de Morte do seu sistema penal, sem possibilidade de retrocesso.


Este é, ainda hoje, um tema polémico. Confrontados com a violência que espreita a esquina do quotidiano da pessoa mais serena e pacífica, e com a consciência que a divulgação mediática que existe dessa mesma violência muitos são os que apesar da sua boa personalidade cívica e humana, hesitam ou, nem por isso, antes apoiam a pena de morte como solução para conter e castigar os crimes que atingem inocentes.


Pessoalmente, expresso aqui uma opinião que assume uma série de implicações, pelo que não quero fazê-lo, sem fundamentar a minha posição e assumir a consciência desses fundamentos. Estou consciente do privilégio que representa nunca ter sido alvo de episódios de relevante violência. Consigo, talvez por defeito, mas quanto baste para entender o estado de espírito de quem sofreu sérias circunstâncias
de ofensas pesadas à sua integridade física, atentados ou até assassínios dos que lhe são próximos.Há casos e circunstâncias em que os ofendidos poderão encontrar argumentações que sustentem uma execução num caso específico. Há até casos de assassinos que querem morrer. Há muitos que até se suicidam no corredor da morte, seja pela incapacidade de lidar com a culpa ou com a desumanidade da tortura da espera. No entanto, há uma coisa de que todos temos de estar conscientes. Num determinado sistema penal há ou não há pena de morte. E temos de estar conscientes de uma outra coisa. Nenhuma lei que exista em qualquer país, para qualquer efeito, tem garantia de ser sempre exemplarmente aplicada. Os casos são julgados por pessoas e por elas são aplicadas as penas. As pessoas detêm poderes e têm interesses que, por vezes são difíceis de identificar até para os próprios porque estão nas esferas obscuras das ideologias e das afectações de carácter e que são determinantes nas decisões. Pesa, para mais, que a maioria dos locais onde a pena de morte ainda é aplicada, e onde é necessário que seja abolida, são aqueles onde os atropelos à isenta aplicação da lei são mais fáceis.


Não é defensável que estejamos vulneráveis à violência social. Sabemos que há seres humanos cuja monstruosidade de comportamento alimenta as vendas e audiências dos meios de comunicação com a evidência de que não terão a mínima viabilidade de recuperação. No entanto, defendo que as sociedades terão de encontrar métodos de prevenção e de regulação destes fenómenos que estão completamente associados à própria natureza humana e à forma como se gerem políticamente as sociedades. Acredito que um eficaz combate à miséria existencial e um sistema de educação humano e adequado resolverá uma grande parte do problema. A aplicação rigorosa dos direitos humanos, já reconhecidos, outra parte. Só que o que poderia ser fácil, não o é, e esse estado, demorará a ser atingido, se algum dia o for à escala global. Até lá, os crimes e as agressões continuarão. E a necessidade de lidar com eles, sem passar pela eliminação física do criminoso. Porque basta a possibilidade, em aberto, de um inocente condenado para inviabilizar que se possa manter uma lei que o permita. Nos Estados Unidos, onde ainda existe, como sabem, pena de morte nalguns estados, já se tem descoberto inocência, e conduzido à libertação de presos, numa espera que chega a durar 20 anos.


Perante estes factos só é possível defender a abolição da pena de morte, sem excepção do local geográfico, da natureza dos crimes, das características do criminoso ou do método de execução utilizado. É um princípio e um conceito a eliminar para atingir um mundo melhor.


Como nota final, registo o facto agradável de Portugal ter sido a vanguarda da abolição da Pena de Morte. Foi introduzida pela Reforma Penal de 1867, tornando-nos no primeiro país a aprovar uma lei desta natureza. Notável, para um país, em que em 1476, os registos reais dão conta daquilo a que chamam "uma lei mais humana" referente à decisão de D.Afonso V de proferir uma sentença em que só o marido podia matar a mulher culpada de crime de fugir ao marido, pecando-lhe na lei do casamento.

ATENÇÃO - ESTE VÍDEO MOSTRA A CRUELDADE HUMANA PARA COM OS ANIMAIS

Nos dias de hoje, só a ganância do lucro, o desprezo pelo sofrimento alheio e a crueldade para com as outras formas de vida, explicam as experiências com animais em laboratório, para fins médicos, cosméticos ou outros. No total alheamento pela dignidade da vida e pelo seu carácter sagrado, animais dotados de consciência e sensibilidade elevadas são torturados com objectivos militares e científicos, por vezes durante anos a fio, passando existências inclassificáveis. A engenharia genética que tem sido, tantas vezes, usada em más direcções, providencia afinal os meios que permitem avançar a medicina sem o uso deste tipo de práticas, mas elas continuam a ser usadas.
Impõe-se que todos os que temos consciência do mal no exercício destas práticas cruéis e que com elas não queremos pactuar, nos informemos, de quais as empresas que comercializam produtos ou medicamentos resultantes destas experiências. Felizmente o mercado actual dá alternativas para se evitar um consumo que suporte essas actividades.

NÃO À SENTENÇA DE MORTE - Não deixe o seu cão velho na rua, nas noites frias!

Chained Dogs

CLIQUE NA IMAGEM ACIMA E VISITE O SITE DA PEOPLE FOR ETHIC TREATMENT OF ANIMALS

Se tiver dificuldades com a língua inglesa faça uso da ferramenta de tradução do Google. Não é perfeita, mas permite-lhe ter uma ideia muito aproximada dos conteúdos.

MOSTRA VIRTUAL DE PINTURA

sexta-feira, 3 de julho de 2009

GÓLGOTA


Gólgota (do Lat. Golgotha) substantivo masculino - lugar de suplício; sofrimento atroz; calvário



Origem: Dicionário da Língua Portuguesa - Texto Editores



Calvário (em aramaico Gólgota) é o nome dado à colina que na época de Cristo ficava fora da cidade de Jerusalém, onde Jesus foi crucificado. Calvaria em latim, Κρανιου Τοπος (Kraniou Topos) em grego e Gûlgaltâ em transliteração do aramaico. O termo significa "caveira", referindo-se a uma colina ou platô que contém uma pilha de crânios ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio.



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Golgota Jpg.jpg



Gólgota



Óleo sobre tela - 138 x 223 - 2009





Num momento, o lugar da caveira é o espaço do Universo todo, e, para cada ser, o é em dado momento da existência, aquele em que o tempo deixa de passar e ter significado, em que a matéria não tem expressão e o nada é tudo.






O homem é filho da mulher e do homem, de Deus e dos imensos Deuses que fez à sua imagem e às imagens que o mistério lhe concedeu para ver. As mulheres são todas amazonas, filhas de Diana, Afrodite e Psique, trindade conflituosa fecundada pelo pó das estrelas que criaram. Encontraram-se num momento, à vez, sempre na consciência dos outros, como se juntos estivessem, na multidão humana, colmeia una de um único centro, naquele lugar em que as pedras brotavam das mãos do anjo sombrio, que se sentava a Norte, e a música soluçava na garganta da luz branca, deitada a sul, espalhando-se pelas flores de carne.






E todos experimentaram o medo e a perplexidade. E disseram:






-Perdoa-me, porque não sabia o que fazia!






E após um instante eterno:






-Não me abandones!






O balido do cordeiro misturou-se com o sopro de um bater de asas no céu, porque ele e a ave foram opostos, mas nascidos da mesma raiz. Transformaram-se mutuamente e equilibraram-se, em harmonia.






E o círculo fechou-se, rigorosamente, metade luz, metade abismo, irregularmente.





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CONTINUANDO A FALAR SOBRE ARTE







Após a primeira troca de impressões (que pode ser consultada acedendo à página de comentários do "post" anterior) já é possível orientar mais objectivamente a exposição de ideias, aqui.





De uma forma geral, sobressai uma opinião de que a Arte é algo que não sendo definível de modo consensual, deve ser aceite em todas as formas e manifestações, com um grau de tolerância que permita a serena convivência entre todos os artistas e as suas obras.





Asseguro-vos que ninguém estaria mais de acordo com este ponto de vista do que eu, que defendo que a maior parte dos problemas do mundo em que vivemos se devem à nossa falta de respeito pelo próximo e do exercício da tolerância, independentemente das características de cada um e das suas opções, devendo esta prática ser alargada a todas as outras espécies, devendo estas ser respeitadas na sua dignidade, que lhes é conferida pelo facto de compartilharem connosco uma origem universal comum, ancorada no mesmo mistério.





Sucede, que no que respeita à Arte, a falta de tomada de posição, de escolha e discriminação, leva a uma ilusão de convívio de todas as correntes, porque a passividade , apenas permite uma hierarquia perversa de géneros e expressões que serve interesses específicos do mercado. Na verdade, valorizando, todas as propostas que se apresentam, de forma igual, fazendo depender a sua legitimação, apenas de factores como a pretenção do artista e a aceitação pelos diversos agentes, criamos um palco em que os produtos de maior facilidade de produção, ora porque exigem menos talento criativo, mais vulgar técnica de execução, menos investigação e dedicação, proliferarão como erva daninha abafando a colheita. Assim os trabalhos que se inserem dentro de um conceito mais exigente tendem a desaparecer. Pela banalização, caíremos, tarde ou cedo, na desvalorização total da actividade, na sua falta de sentido.





No que respeita à pintura, não penso, evidentemente, que tudo o que foi feito durante o século XX e neste princípio do século XXI, que não seja figurativo tradicional, não deva ser valorizado como arte. Pelo contrário, muitas pessoas com talento, fizeram coisas interessantes. Quando digo que o início do declínio se deu com o impressionismo, não o faço com uma posição de rejeição dirigida, específicamente, aos trabalhos dessa escola. Não culpo Cézanne, Monet ou Renoir. Pelo contrário, nas suas novas abordagens, fizeram trabalhos muito interessantes. A questão teve a ver com o caminho que abriu. Isso foi o resultado da forma como a nova forma de expressão foi tratada pelos filósofos formalistas como Clive Bell, expressionistas como R.G. Collingwood e Benedetto Croce e outros na imposição elitista de um conceito de "Arte". Por exemplo, a filosofia formalista de Bell, para elevar Cézanne ao nível dos maiores clássicos, era de que apenas havia um elemento comum a toda as pinturas merecedoras, que lhe conferiam essa condição excepcional de ser uma obra de arte, a que chamou "a forma significante". Esta "forma significante" é uma conjugação de formas, linhas e cores susceptível de provocar uma emoção estética aos seres sensíveis, dotados da capacidade de a sentir. Ou seja a "forma significante" não era definível, mas passível de ser sentida, intuída, colocando o poder de determinar o valor do que passava a ser a arte de vanguarda, nas mão de uma elite de sensíveis iluminados, que se articulavam com um mercado de galerias, leiloeiras, escolas e museus. Os filósofos expressionistas ainda tentaram definir a qualidade comum do objecto artístico, encontrando um relação entre "Arte" e ofício. No entanto, pelo meio do século passado, já Wittgenstein e outros filósofos, concluíam que tentar definir "Arte" era um erro. A "Arte" não pode ser definida isolando as suas qualidades essenciais. O máximo que se poderia tentar fazer seria encontrar padrões complexos de semelhanças sobrepostas nos objectos de "Arte".





Essa incapacidade de encontrar uma definição para "Arte" chegou aos dias de hoje. Umberto Eco e Warburton assumem esse facto, mas por outro lado reconhecem uma necessidade de se fazer escolhas. De encontrar parâmetros para organizar um mundo caótico em que as correntes de expressão artística são antropófagas e o mundo dos interesses financeiros conferem força às que mais interessam por via de teias complexas, de modo a que ocupem o topo da pirâmide. Haverá assim uma necessidade, até uma responsabilidade de todos os que estão envolvidos no campo das "Artes", de expressar o seu ponto de vista, fundamentado, numa troca de ideias democrática, honesta, transparente e convicta. Ninguém terá o direito de impor uma ideia ou posição, porque já se encontra instalado e/ou muito comodamente "porque sim". Assim na soma das manifestações de ideias, paralelas à apresentação dos trabalhos, resultantes nalguns casos, de reflexões e auto-crítica, que até aqui nunca terá sucedido, poderão todos os observadores interessados, começar a definir algumas ideias. Provavelmente isto nunca sucederá, mas os resultados serão lamentáveis, e serão visíveis no tempo desta geração ou mais tarde. A "Arte" encontra-se em perigo como o ar e os mares deste planeta. Aliás é uma questão global, de origem comum. Ganância e cegueira de gestão.





Do meu ponto de vista é necessária esta clarificação porque, nas circunstâncias presentes, e naquelas para que, cada vez mais, caminhamos, necessitamos de meios de determinar factores importantes, por uma via lógica e objectiva, que não seja um exercício de poder aleatório e ilegítimo apenas dependente de estruturas já existentes, decorrentes de poderes completamente alheios à "Arte". Portanto, é necessário ter princípios de avaliação, claros e transparentes, que permitam atribuir uma hierarquia de valores aos objectos de "Arte". É necessário enquadrar a atenção que lhes damos, de acordo com o seu significado para a humanidade, num sentido que lhes enquadre valor de registo histórico, social, filosófico, etc. Por outro lado é necessário que qualquer olhar que se tenha sobre a "Arte" de hoje, nos permita enquadrar a razão porque aquilo a que, desde sempre, se tem chamado "Arte", é "Arte". Para que não se venha a concluir que só agora temos verdadeira "Arte". E, se assim não é, como se confronta uma com a outra, tão diferentes são, tanto uma põe a outra em causa. Na verdade, necessitamos de linhas orientadoras para decidir com rigor e transparência, em casos complexos, que hoje, são a larga maioria.





Para uma pausa, para olhar um pouco, coloco uma imagem do painel central, de um tríptico que acabei de pintar no princípio deste ano. Na próxima edição colocarei a imagem completa do trabalho assim como os dois painéis que faltam, em destaque.



De seguida farei uma primeira abordagem ao que penso fazer sentido serem considerações acerca dos objectos de arte, que a serem aplicadas, lhes confeririam qualidades de dignidade conceptual, profundidade de conteúdo e permitiriam restaurar alguma aura espiritual, no sentido laico.









Triptico centraljpg.jpg





"Tempo de Passagem"



tríptico em óleo sobre tela



100x350cm (tela) - 122x394cm ( com moldura)



2009









NOTA FINAL:




O facto de pensar que o conceito de "Arte" deveria enquadrar objectos com determinado tipo de características, não significa que não goste de outros objectos, que não estejam nessas condições. Pelo contrário, gosto muito de olhar determinadas pinturas que não considero dentro desse conceito, mas me provocam uma emoção estética. Se adoptasse um princípio formalista tudo estaria bem. Mas essas peças, que até podem ter valor decorativo, para além do prazer de as olhar, só me poderão dar uma base de reflexão, um conteúdo de comunicação, na base da minha imaginação ou na aceitação de qualquer leitura subjectiva que me é dada para aceitar. Quando admiro uma paisagem com elementos que a Natureza, por acaso ou não, reuniu com uma harmonia que, aos meus olhos, resulta numa emoção estética posso comover-me. Isso não torna a paisagem numa obra de "Arte". Costumamos chamar-lhe isso, mas apenas no sentido figurado. Isto pode acontecer com resultados de acidentes químicos. Um qualquer líquido que cai sobre um tecido pode fazer manchas belas, a chuva a cair numa roseira, sei lá....




Para mim, uma obra de "Arte" tem de ser feita pelo ser humano, mas o facto de ser feita por ele não é condição que baste para a elevar a essa condição. A simples reprodução de um objecto da natureza, se não tiver nada acrescentado não basta para elevar o trabalho por mais figurativo e técnicamente perfeito a obra de valor. Tem de se "ler" qualquer coisa de interessante na observação desse objecto da Natureza. Costumo dizer que, para mim, uma obra de "Arte" é tanto mais valiosa, quanto a capacidade que tem de me alterar na sua observação. Guardo de memória, objectos, que mudaram a minha percepção do mundo e da vida: quadros, livros, filmes, músicas.....




De alguma maneira, penso, que a arte mais poderosa, na sua comunicação, que melhores resultados tem sobre o seu apreciador é aquela que é estruturada na recreação da realidade dando-nos uma visão que a sensibilidade específica do artista tem acerca de assuntos intemporais como as emoções e comportamentos extremos do ser humano, entre a beleza e a fealdade, a glória e a tragédia. O medo, os limites do conhecimento humano, ódio, o amor, a guerra, os dramas psicológicos, tratados com sensibilidade técnica, independentemente das opções formais, desde que legíveis e reconhecíveis, são bons temas para a "Arte".






Quanto às "obras" do "expressionismo abstracto", da "arte conceptual" baseada em "ready-made" e outras expressões vanguardistas, limito-me a imaginar a dificuldade que os futuros historiadores da Arte terão em enquadrá-las de uma forma digna para o percurso da expressão humana no seu aspecto mais espiritual e sofisticado. Onde se conseguirá encontrar alguma transcendência?!








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Um olhar sobre a tradição não significa querer voltar ao passado, mas apenas vontade de evoluir sempre na procura do Santo Graal. A perfeição não é atingível, mas procura-se com os olhos nas estrelas do firmamento, com rumo.

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24 comentários:

mariabesuga disse...

Ora bem, o que me parece é que houve em determinada altura abertura para oportunismos que à falta de melhor se foram instalando e aceites e tidos como o melhor, mesmo!... Até porque em termos de expressão é suposto fazerem que o espírito se encante e a alma se desvende e se eleve, só!

É suposto existir na maioria das obras um apelo à apreciação pela intenção, não propriamente pelo aspecto formal e rigor técnico nos vários aspectos a que uma obra de arte se vê “obrigada”. Até porque sendo um processo evolutivo cresce exactamente tipo círculo vicioso. Não há mais o que aceitar e aceita-se o que há e institui-se o conceito e ensina-se na base do pressuposto de que precisamos de objectos artísticos e estéticos que apelem aos sentidos, à emoção, só! É isso que passa a sair das mãos de quem se vai formando… na convicção de que estão a fazer o melhor dos melhores. É arte!...

Quem se propõe ser criador de peças de arte seja em que campo for e se preocupa não só com as cores ou com o tamanho da peça para encaixar neste ou naquele espaço, que não sejam só o borrão do extravasar do sentimento do momento, terá pela frente um mais longo caminho porque não há portas que se abram, não há cabeças que se assumam, não há abertura para o que deveria acontecer como processo natural. Dar espaço para que o público conheça e sinta… Abrir caminhos para que se “renovem” os termos do conceito no que à arte respeita neste momento. Abrir caminho para que o futuro possa dizer de seus artistas e da obra que deixaram.

Agora temos a arte quase que de descartar. Fazem-se obras e peças e estrutura-se tudo para quantidades para encher espaços. Trabalha-se para o espaço específico e não o contrário. Depois descarta-se, põe-se de parte ou reaproveitam-se os materiais fazendo novas peças para os mesmos ou outros espaços e a “procissão” prossegue até que alguém resolva gritar que o rei vai nu e as mentes rebentem.

Portanto, é preciso sim que existam espaços de troca de ideias, claro que não só ao nível do que estás aqui a fazer, mas a uma dimensão mais vasta, mais alargada, para que as mentalidades se sintam “espevitadas” e os juízos acordem e nasça a luz deste espírito de discussão que, instalado, dará frutos, acredito!...

O meu beijo sempre

Laura disse...

Olá Pintor!...
Pelo pouco que vou vendo, apenas no pc, acho que; toda a gente devia ter acesso a essas obras, deviam estar expostas em todas as cidades, vilas, por aí fora, dentro e fora da nossa terra, porque toda a Arte deve ser mostrada!... e, discutida, falada, pensada. Sei que um dia destes poderei ver esseas telas de perto! Será um prazer poder vê-las e ver também o Pintor!...
Até lá fica meu abraço cheio de carinho! Laura.

Maria disse...

António:
Ao contrário da Laurinha já vi ao vivo, alguns dos teus trabalhos.
Gostei. Não sou muito entendida em Arte. Gosto ou não gosto. Se gosto, comovo-me, sinto-me arrepiada. Se não gosto, desviu-me, porque sinto repulsa. Li os teus dois textos, com os quais concordo na generalidade.
Vou continuar a ler, tentar entender e depois de os apreender bem, dir-te-ei o que penso.
Um beijo

isabel mendes ferreira disse...

vim pela mão da maria besuga...
e


em pasmo.


belo. belíssimooooooooooooooooo!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Antonior Gólgota

Calvário era o outro do «Senhor a teus pés eu confesso». A provecta idade dá nestas coisas: um sujeito a recordar o primeiro Festival da Canção, quando andava embeiçado pela Simone - se qualquer resultado papável, e palpável. Pdi. Adiante.

Isto de se saber o que é a Arte tem que se lhe diga. Muita gente, alguma boa, outra assim, assim, mais outra má, outra ainda muito antes pelo contrário, dicodinha, dicodão, tem botado faladura, tem escruvinhado, tem blogado, eu sei lá que mais sobre o tema.

Esta fúria de produção opinativa ao longo dos tempos tem dado origem a teses interessantíssimas, mas também a asneiras ciclópicas. Para ser mais explícito: a merdas. E ainda que moderados continuem a defender que no meio é que está a virtude - isso não passa de mais uma forma de compromisso, de fuga, de abdicação.

Não penso que seja importante definir o que é a Arte. Se há algo em que todos ou quase todos os intervenientes neste labirinto - ele é que a Arte é da autoria dos humanos, ainda que as experiências com os «pintores» chipanzés sejam citadas - mas mal, em meu entender.

Diz-se que a Natureza também faz obras de Arte. No entanto, elas são assim consideradas por quem? Pelos homens, naturalmente, já que ninguém nem nada mais emite opiniões, sequer fala.

Nunca pretendi, pretendo ou pretenderei ser dono da verdade. Seria obtusamente... obtuso se o fizesse. Todas as verdades são... verdades. E cada um tem a sua. Porque, uma outra vez, somos nós, os Homens, que a expressamos, a qualificamos, a defendemos.

Mal. Uma coisa é verdadeira - ou não é. As meias verdades não existem. Ponto.

Por isso, a Arte é... a Arte, simplesmente. Para onde caminha ela? Para onde caminha a Humanidade? A cada um a sua verdade. Fico-me pelo que entendo, pelo de que gosto, pelo que não compreendo, pelo de que não gosto. Sei, apenas que das pinturas rupestres ao nihilismo há de tudo.

Abs & qjs à Dona Besuga Girassol

poeta_silente disse...

Antonior.
Obrigada pela visita. Ando sem tempo para postar nos Blogs. Pois meu trabalho tem me ocupado todo o tempo.
A Arte...
Já penso um pouco diferente de ti. Creio que uma bela paisagem transformada em óleo sobre tela nada precisa ter para ser arte. Pq é ARTE.
O fato de alguém ter se dedicado a pegar um pincel e tentar reproduzir a ARTE de Deus, é arte.
Eu não entendo de ARTE. Mas considero ARTE uma bela paisagem retratando um momento único da Natureza. Considero mais arte do que um borrão numa tela - Mas um borrão que nada me diz... ouq ue ndad diz a ninguém.
Tenho uma história a este respeito e vou colocar aqui. Estava eu jantando numa churrascaria famosa aqui da minha cidade, quando olhei para as paredes e deparei-me com várias telas abstratas que estavam ali, em exposição. Automaticamente me levantei e percorri toda a exposição dos quadros. Um a um... fascinada. Eram borrões e luzes... e sombras. De tão fascinada, voltei a sentar e comecei a falar a respeito da artista. E comecei a contar a vida desta artista. Note bem que eu não a conhecia. Nunca a havia visto nem ouvido seu nome. E falei que a artista havia sofrido muito, um baque muito grande, e que estava em busca da luz. E, aos poucos, fui discorrendo sobre seu sofrimento - a cada quadro que me voltava - e sobre seus passos em direção à cura da dor... Minha família estava a me escutar... De repente, uma senhora parou ao meu lado e me chamou. Perguntou meu nome. E disse:
- Sou artista há muito tempo. Exponho quadros há muito tempo, mas nunca alguém falou tão profundamente e tão corretamente sobre meus sentimentos ao pintar cada tela. E pediu meu telefone e endereço. Dei. Nos comunicamos algumas vezes, nas quais ela me contou sua vida - que era exatamente o que eu havia sentido nos seus quadros. E me enviou um presente pelo correio.
Interessante que eu lembrei desta história agora que li teu post. Há muitos anos isto ocorreu e havia me esquecido. Mas, é uma das minhas sensibilidades o "sentir" o artista, quando realmente é uma obra de arte.
Mas eu sinto o artista numa paisagem, também. E sei exatamente, pela paisagem que foi retratada, o que o autor queria dizer.
Assim, a arte é a comunicação do que eu sinto, de uma forma bela e concreta, sem que eu precise estar presente para que o outro perceba meu recado.
Nunca veremos poesia, quadros, esculturas, ou qualquer tipo de arte, aleatórias, sem expressar o que o artista é ou o que o artista sente. Pq mesmo nas artes mais estranhas, há a comunicação do eu do autor.
Se é uma arte feia, escura... o momento é duro, é triste... E a forma de colocar para fora exprime exatamente a personalidade do autor.
Até no colocarmos uma fotografia que não é nossa, uma imagem qualquer, num post, nos mostra a identificação que temos com o que escolhemos. Tudo o que escolhemos esparrama o que somos pelos caminhos do mundo.
Deus os abençoe.
Abraços a ti e Girassol.
E desculpa pelo ENORME comentário.
Miriam

wallper.lima disse...

Olá! Vim aqui conhecer seu blog, e gostei muito! Quero agradecer pelo comentário que deixou em meu espaço, só achei engraçado por que demorou tanto tempo para deixar um comentário...rsrsr!
Abraços.
Waleria Lima.

Desambientado disse...

Parabéns e bom regresso.
Atribui-te um blog d'ouro, apesar de saber que não liga a estas coisas.

antonior disse...

Minha querida Maria Besuga,

Dizes bem, tudo tem uma história com muitas estórias e sempre começa por algum lado. E como, nenhuma verdade é verdade a direito, aqui também acontece assim.

Todos os movimentos de renovação e novas ideias teriam tido um papel diferente e construtivo no avanço pelo caminho da Arte se não fossem os aproveitamentos destrutivos.

A espécie humana é mesmo assim. Por isso as utopias são irrealizáveis.

A situação está a exigir uma renovação. Pelo menos um aumento gradual, no rigor e seriedade da análise e valorização dos objectos artísticos. Se essas circunstâncias acabarem por tomar o seu devido realce e cumprirem o papel necessário oxalá não acabe tudo por também sofrer de excessos e tornar-se numa coisa diferente do que deve ser.

Um beijo com carinho

antonior disse...

Olá, Laura,

Pois, de facto a ideia é ir expondo a pintura conforme for possível. Há sempre dificuldades nestes processos. Os quadros são de dimensões consideráveis o que coloca algumas exigências aos locais de exposição. Depois também são pesados e é necessário cuidados redobrados com as fixações, etc. E são transportes, e seguros...Para além disto, os sítios que reúnem condições vão preenchendo as agendas com antecedência. Por outro lado esta pintura não encaixa nos estilos preferidos da arte moderna. Enfim, são muitos obstáculos a contornar....até que tudo possa ser exposto e valorizado de acordo com uma avaliação lúcida e rigorosa.

No entanto não será, certamente, o tempo que medear até à próxima exposição que a impedirá de ver a pintura, na presença dos originais.

Retribuo o abraço, com amizade.

antonior disse...

Olá, Maria,

O facto feliz de já teres visto a minha pintura ao vivo é um privilégio meu, que me permite receber a tua generosa apreciação, com um valor acrescentado.
Fico satisfeito de que gostes do que viste, mas no entanto, é justamente a apreciação de gostar ou não que dá pano para mangas....às vezes significa de facto uma apreciação contextualizada numa consciência do efeito do prazer de olhar em realidades mais profundas, outras vezes não. Isso conduz, por vezes, a alguns equívocos de avaliação, na melhor convicção.

No entanto, cá estou à espera do prometido comentário aos textos que leste aqui.

Até breve.

Um beijo

antonior disse...

Isabel,

Bem vinda de volta,
com a particularidade acrescentada de vir pela mão da minha querida Maria Besuga, para expressar tão generosamente esse pasmo e adjectivar, diria até mais, epitetar, julgo que o conteúdo deste espaço, de forma tão sentida e viva....

Saúdo-a então. Venha sempre.

E já agora, ter a sua opinião acerca deste assunto, que corre sobre arme fininho, com protecção de uma base de areia movediça, não poderia ser económico em tempo e palavras, mas seria excelente, pode crer...

antonior disse...

Caro Ferreira,

Com toda a propriedade, para além do que avaliar podes, me alcunhas de Gólgota, pois alcançarei a redenção, através do sofrimento imposto pelo errante deambular por este espaço impérvio, onde as sombras ocultam avejões intencionais, e algozes cruzam lanças afiadas, expelindo sulforosos hálitos.

Desculpa, não estava a pensar no estado da Nação, nem nas eleições que se aproximam, era outra coisa....

Ah! pois é! Falas acerca da Arte! Dizes que muitos falam, uns que sim, outros que não. Não, pois não, acho que não falam, sobretudo os que seguram as coisas estão silenciosos, só agem....os outros falam, por vezes demais, como deve ser o meu caso. Isto são coisas tão retorcidas que é sempre possível defender a coisa por dois prismas opostos. Ser cartesiano numa coisa destas é jogar à sardinha com o Pazuzu ou Belzebu, ou lá como quiseres....mas lá que as coisas como estão não cheiram bem, lá isso podes crer, e que o ponto de vista que defendo faz sentido, parece-me, e que alguma coisa pode ser sacrificada por arrasto, também acredito, mas assim sacrificam-se luzes que brilham, em prol de umas informidades besuntadas de......piche e ornamentadas com flores de plástico da mais reles loja dos 300....

Mas, mesmo nesta consciência, meu caro, é aquela coisa lixada: se assumes que não entendes, e não entendes, porque o ser humano não entende nada do que lhe acontece, é só pontos de interrogação, e não traças o teu caminho no rigor das tuas regras morais e éticas, daquilo em que acreditas, então bem podes crer, que um dia destes te sentirás conivente, por inércia, com aquilo que, então não terás dúvidas, reprovas. Enfim, isto sou eu a dizer, mais uma vez, a falar demais.....

Ah! E isto não é mesmo só uma coisa de gostar ou não. Senão tudo deixa de ter importância e nivelamos tudo pelo rasteiro. Concordo que quando nos temos de preocupar em encontrar comida, um trapo para nos taparmos e uma telha para tapar da chuva, então a Arte não tem interesse, mas se tivermos uma cavernita abrigada, uma pele de um pobre bicho ou umas folhagens protectoras e umas bagas, tipo amoras silvestres para papar já começamos a desenhar umas figuritas na parede da caverna. Deve ter alguma importância. Basta estar acima desse tal limiar. Começa a merecer a pena perceber porque fazemos os bonecos e para que é que isso serve. Será para falar com Deus, para Deus falar connosco ou para falarmos uns com os outros a linguagen dos Deuses?....sei lá!....

Um forte abraço e promessas de lebres a sair do barrete, assim que possível.

antonior disse...

Olá, Miriam,

És sempre bem-vinda e nunca tens de pedir desculpa por os teus comentários serem grandes. É sempre agradável receber a tua opinião.

Compreendo o teu ponto de vista, apesar de discordar. No entanto, como já disse antes, opiniões diferentes entre pessoas de boa vontade aproxima-as na troca de ideias, enquanto que pontos de vista comuns entre pessoas que só pensam em si e mais nada, acaba sempre com uma faca nas costas do mais fraco ou menos esperto.

Pois, Miriam penso que a Arte de Deus é grande e inquestionável, mas não é dessa que falamos quando falamos da Arte dos homens. E os homens tentarem reproduzir a beleza e o esplendor da obra divina, apenas como tal, não só é um trabalho arrogante como, na essência, destinado ao fracasso, porque nunca poderá ou deverá concorrer com o original. Já se o seu olhar se expressar na pintura com uma intenção de dar esse trabalho de Deus de uma forma que o pintor sente como sua, e que quer repartir com os outros, acreditando que lhes fará algum bem, então estamos no bom caminho.

Pois penso que a Arte deverá ser uma recreação selectiva de uma realidade reconhecida e legível, descodificável, pelo indivíduo comum. Logo prefiro de facto, um figurativo realista, mais ou menos detalhado, isso não é tão importante, mas em que os elementos ou o tratamento deles estejam dispostos e combinados de tal forma ,que nos levem a sentir essa realidade, sob ângulos que acrescentem alguma coisa à nossa visão de até então, que nos levem a questionar, que nos alarguem um horizonte de consciência, que nos permitam criar um estado de empatia com outras vivências, sobre as quais nunca tinhamos pensado, sei lá....amor....ódio....guerra....paz....fracasso....glória...medo...coragem....dedicação....sacrifício....elevação espiritual...são tantos os temas que se podem expressar por este meio e que no chamado abstracionismo moderno não podemos encontrar. Ou poderemos, como dizes que viste nos quadros da tal senhora com borrões e luzes. Mas acredito que aí era mais a tua sensibilidade e arte que outra coisa. Não duvido que a pintora, sendo uma alma sofrida a quem ensinaram que na arte abstracta se expressam as emoções como fez o Pollock e o Rhotko tenha feito os borrões num estado de penar. Também não duvido que tenhas sentido a dor dela ao olhar para as telas. Tal como podemos olhar para as telas do Pollock e ver toda a tragédia da vida dele naquele caótico entrelaçado de linhas e pingos. Na verdade só lá estão pingos e linhas sobre grandes telas, como no caso da senhora só estão borrões e manchas luminosas. O resto é feito por quem vê. E tanto queremos ver, que nas escolas, e uns com os outros, no dia a dia, ensinamo-nos a ver coisas nessas manchas e borrões. E quem não consegue ver, já tem vergonha e sente-se diminuído, o que é um grande trunfo da arte de vanguarda. Há artistas que quando acabam de fazer o trabalho (que aliás, não sabem muito bem o que é) perguntam aos outros o que pensam que seja como se os estivessem a testar na sua superior legitimidade de artistas iluminados. Ora eu penso que o artista deve ser humilde para com o acto de existir e a arte deve ser democrática, acessível e compreensível para todos, para poder comunicar com toda a gente e não apenas com as elites intelectuais, e os que estão educados para fazer leituras sofisticadas em borrões sobre tela, ou em quadrados lisos e monocromáticos.

Agora sou eu que te peço desculpa pela ENORME resposta.

Abraços meus e da Girassol, com desejos que te sintas sempre em paz e perto de Deus.

antonior disse...

Olá, Waleria

Seja bem vinda!

Fico contente que tenha apreciado os conteúdos deste espaço.

Deixe-me, por favor, esclarecer um equívoco. Quando no comentário que lhe deixei, disse que tinha visto um seu comentário no blog "Das Artes", do ano passado, não o tinha visto nessa altura, o ano passado. Como digo na entrada deste blog, estive dois anos afastado deste mundo de blogs. Sucede que agora, ao regressar, fiz umas buscas sobre blogs com temas de arte e fui ter àquele post que você tinha comentado o ano passado, mas isso só aconteceu na altura em que a visitei e comentei, agora há alguns dias.

Volte sempre que queira e sinta-se à vontade para dar a sua opinião, seja ela qual for, acerca dos assuntos de que aqui falamos.

Um abraço

antonior disse...

Meu caro desambientado,

Obrigado pelo teu apreço e pelos teu agradáveis desejos de bom regresso.

Apenas duas (algumas mais...) palavras sobre o assunto dos prémios dos blogs. Devo confessar-te que uma distinção por parte de uma pessoa como tu que respeito pelo carácter que manifestas nos conteúdos do teu blog e por atitudes que apreciei no passado me dá uma grande satisfação e seria um reconhecimento que exporia ao conhecimento público com todo o prazer. O problema consiste apenas em dois aspectos. Primeiro a quantidade ao desbarato que existe de selos desses disseminados pela blogosfera, que as pessoas vão, a maior parte das vezes atribuindo, com critérios que não se entendem, esvazia de intenção e desvirtua o significado dos mesmos. Isto é apenas uma opinião que espero me perdoes, na convicção de que falamos a mesma língua. Isto é, somos ambos, homens frontais. Por outro lado, um selo desses nas minhas mãos iria queimar, porque eu teria, por minha vez, de o atribuir a uma quantidade de outros, e isso seria uma ferramenta para semear injustiças e melindres que não quero fazer.

Por isso te agradeço, e coloco o selo plasmado num espaço imaginário do blog que eu vejo ( e quem ler isto também ! ). Portanto, não é uma questão de eu não ligar a estas coisas.

Olha, por favor, vem sempre que queiras, e gostava muito que deixasses o teu ponto de vista, mesmo discordante, acerca dos assuntos que aqui se falam.

Um grande abraço

Anderson disse...

Caro Antonior,

Fico feliz que tenha visitado meu umilde blog e que tenha gostado do que viu, fico muito honrado.
Vejo que seu blog é rico em qualidades.
Concordo contigo quando você cita a "necessidade de renovação da arte contemporânea" e também sou defensor, contudo, acredito que a arte presente só terá um alicerce firme, enquanto não deixar-mos de lado nossos antepassados com a sua arte e seus conhecimentos, apropriando-se da mesma fortalecido com a linguagem, valores estéticos e semânticos que se faz presente, pois "nada se cria, tudo se transforma", então, sou mais um entre vocês e tantos outros, como os que residem aqui em minha terra. Lutamos pra que esse desejo de renovação da arte, seja algo que enriqueça, não apenas culturalmente, mas nossa humanidade,ter a consciência que precisamos renovar nossas idéias e conviver harmonicamente com elas e com o meio em que atuamos.

Antonior, seja sempre bem vindo em meu blog e quando eu puder sempre visitarei seu blog pra trocar idéias e ver as novidades.

Um grande abraço!

antonior disse...

Recentemente o meu amigo João Serém, deu-me a honra de vir visitar este blog e comentou os conteúdos em publicações anteriores.

Como me parece adequado manter viva a dinâmica deste espaço promovendo a interacção sempre em cima do momento mais recente, tomo a lliberdade de trazer a esta página de comentários os dois comentários dele, que se encontravam nas páginas de comentários dos "posts" anteriores, porque penso que isso não signifique para o seu autor razão de qualquer contrariedade.

Assim sendo passo a transcrever, em rigor, e na íntegra o meu amigo J. Serém:

(em 3 do corrente mês de Julho)

Pinto, vendo a pintura que faço sem ajudas, dou aulas de pintura há 7 anos, já vi muita pintura, já senti muita pintura. Não vou dizer que amo, não vou dizer que não gosto. Aprendi a perceber que o que cada autor expressa é seu, único. É aí que reside a chave. Tudo pode agradar depende só da maneira como se vê, se sente e se aceita. Conheço o António há muitos anos. Conheço o António autor há menos anos. Aceito o seu trabalho às lágrimas, é um trabalho profundo, O SEU! Obrigado e um abraço do João Serém e do João Baptista também.

(em 4 do corrente mês de Julho)

António,

Obrigado pelo teu cuidado. Tomo um comprimido por dia o que me dá um tensão de 80-130 que é óptimo como sabes! Mas à cautela já escolhi a música para o meu velório "Stand by me" : )

Quando te falo de censura, evidente que falo da "tua" censura com a qual concordo absolutamente!

Em relação ao cãozinho na exposição de arte, preso, a sofrer, vi imagens e consegui agonizar com ele...
Os inconscientes que exibem o cão agonizante são:
- o autor à procura de fama, que consegue
- o galerista à procura de mais fama e mais dinheiro
- o curador, idem
- o comissário, idem
- o presidente da câmara, idem
- o chefe do governo, idem
- os visitantes, vivos-mortos, carrascos medrosos, que não lhe cortaram o cordel, que não o libertaram!
- os jornalistas e seus patrões, ditadores de cifrões, personas.

Todos querem mais e só nos estão a dizer:
1. Somos a nata, iluminados, conhecedores de arte.
2. Nós não somos abaixo de cão, vocês os estúpidos papam o que queremos mostrar, intelectualizar!
3. Protagonizamos a opinião, portanto temos que deixar o cão morrer à sede e devagar, exposto, como há 2000 anos atrás aconteceu!
4. Estão a ver como a arte ainda funciona?
5. Como especiais que somos, não interferimos na "performance" do artista, portanto dar agua ao cão, nem pensar, tem de sofrer!
6. Vocês são triturados por nós mas sempre em defesa de valores artísticos.
7. Vocês não comeram as pinturas que Picasso injectou em série, à porta do atelier, que permitiram fortunas aos descendentes e aos investidores? Agora comam cães agonizantes!
8. Paguem, exibam, nós vamos facturando com AdSense!

Com os cães agonizantes que há por todo o mundo, chega-me possuir o nada, ser zero, não quero a infelicidade, não quero a felicidade, descubro apenas o equilíbrio tranquilo, sem opostos.

“No matter who you are!
No matter where you go in life!
You go need somebody to stand by you! Stand by me…”

Fica bem e um abraço
João


___________________________________

Passarei a responder no próximo comentário.

antonior disse...

João,

Bem-vindo sejas a este espaço. Recebo-te com a maior alegria.

Tudo o que dizes é verdade. Pintas e vendes, sem ajudas. Dás aulas há anos e já viste e sentiste muita pintura. É tudo verdade, mas não é tudo. Outras coisas há que também são verdade, e não disseste, mas eu direi, porque assim deve ser...

Para além disso, é importante que diga que a pintura que hoje faço só existe porque generosamente, me envolveste neste mundo ensinando-me as bases de tudo, desde como preparar uma tela a como usar os óleos e os complementos. Inseriste-me num grupo de são convívio onde 2 vezes por semana, durante dois anos, fui fazendo um caminho de experimentação, de ensaio e erro, de permanente descoberta e mudanças de direcção, sempre à margem das regras que mais que impores, sugerias, para uma aprendizagem sequencial e coerente. A intenção era boa, mas perante a minha teimosia e impulsividade criativa havia pouco a fazer, e aquilo que hoje faço, melhor ou pior, cada um terá a sua opinião, é resultado dos tombos e das pancadas que a cabeça deu nessas quedas, ao longo do percurso. Mas tudo isso, e o suporte que me providenciaste nesse período tão difícil que atravessei, reconheço nestas linhas.

Por isso, claro que também é verdade que me conheces há muitos anos, penso que há perto de 30 anos.

Quanto ao resto, meu caro, concordo contigo que o que cada autor expressa é seu, único. Mas, discordo, não é aí que reside a chave, porque isso não basta. Concordo que tudo pode agradar, dependendo da maneira como se vê, se sente e se aceita. Mas isso não confere um valor universal a um trabalho e não basta para fazer dele Arte. Dizes que aprendeste a perceber isto. João, eu acho que nós vamos de facto observando cada facto, cada coisa à nossa frente, e vamos vendo de uma maneira, sentindo e aceitando, mas nunca sabemos se estamos a aprender e sequer se estamos a perceber. Isto acontece à medida que avançamos na vida, e o paradoxo é que, mesmo que tenhamos consciência deste facto, se decidimos empreender alguma acção temos de escolher um caminho e uma conduta. Só podemos escolher o que pensamos ser melhor na tranquilidade moral e ética das nossas consciências.

Por isso, meu amigo, o facto da minha pintura ser, A MINHA! e profunda, na minha opinião, não faz, só por si, dela Arte (também não a assumiste como tal). Terá de ser avaliada para além disso.

Quanto ao segundo comentário, o mais longo, bastam-me poucas palavras para te responder. No espírito e nas implicações do conteúdo estou de tal forma concordante, que subscreveria sem problema nenhum. Claro que há uma argumentação, amplamente divulgada na net, que apresenta razões para sustentar a atitude do "artista", mas, acredito numa verdade que se situa dentro das fronteiras da tua análise.

João, espero que a tua presença se manifeste sempre por cá.

Dou-te um grande abraço e desejo-te a paz que desejas e precisas.

antonior disse...

Anderson,

A honra é minha em receber-te neste espaço.

É um prazer constatar uma vantagem indiscutível da net, no meio de todos os seus paradoxos e contradições, em que o bem e o mal convivem alegremente, ou nem por isso...é, que com a maior facilidade vencemos tanto mar pelo meio.

É com grande satisfação que confirmo a minha suspeita, pelo que vira no teu espaço, de que a tua visão é lúcida em relação aos caminhos da Arte.

Vem, sempre que queiras, que a porta deste lugar está sempre aberta para ti.

Também te visitarei para ver matérias novas.

Retribuo esse abraço transatlântico!

wallper.lima disse...

Oi Antonior!
Agora entendi...sempre estou no Blog das Artes...
Mas fique tranquilo, que sempre passarei por aqui, pois aprecio coisas boas e que valham a pena!
Obrigada por seu comentário em Tarsila do Amaral.
Abraços.
Waleria.

wallper.lima disse...

Já sou sua seguidora, para não perde-lo de vista. Se quiser me seguir fique livre.
Abraços.

Desambientado disse...

Caro amigo.
Só hoje li o teu comentário. Percebo, entendo e respeito a tua postura e o teu entendimento. Concordo contigo nalguns pontos, noutros não discordo, apenas vejo algumas virtuosidades que talvez não vejas, mas que de importante também não tem nada.
Fantástica essa tua colecção, pela magia das cores, pela provocação constante, pela visão original..

Henrique Dória disse...

Voltar aqui é redescobrir sempre algo de interessante. Um abraço


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